domingo, 29 de abril de 2018

Helvegen - Caminho para Morte (tradução livre)

Quem irá cantar e me lançar ao sono mortífero?
quando sigo a caminho da morte
e a estrada que trilho é fria, tão fria

busquei as canções e enviei as canções
quando do mais profundo Poço
recebi lágrimas amargas
pelo penhor do Pai-Morte

Eu sei, Odin, a quem entregou teu olho

Quem irá cantar e me lançar ao sono mortífero?
quando sigo a caminho da morte
e a estrada que trilho é fria, tão fria

seja cedo ou ao fim do dia
o corvo ainda sabe se caio

Uma vez que se depare
com os portões da morte
e precisa se libertar

ei de segui-Lo
pela Ponte Retumbante
com minha canção

Se livra das correntes que o prendem
e é libertado dos laços que o seguram

Gado morre, parentes morrem
você próprio morrerá
mas algo nunca morrerá
a justa fama que merece

Sei apenas de um que não morre:
julgamento sobre os que morrem.

canção e letra original por Wardruna

terça-feira, 20 de março de 2018

Receita de Fossa

3 cervejas
4 cigarros
1 par de versos
dois arrotos bem dados

sexta-feira, 16 de março de 2018

Encruzilhada

vai partir no silêncio
mas avisa que fico
sei ir embora, não tema

sou como diamante
não quebro fácil
de fogo, não queimo

Se o pilar não sustenta
eu aguento a pena

deixa um verso
que de resto
eu disperso

como poeira

segunda-feira, 12 de março de 2018

Gravidade

Um tranco nas tripas
e o nó desata o trilho
O peito destranca e abre
levanta o queixo e chora

Se o que atrai é a hora,
liga às três sem demora.
Me acorda, faz chover
e vai embora.

Procurei em cada esquina
Atraí em toda sina
e sem saber da linha fina
disse adeus

Do que fica, a estrada
um tanto torta,
um cado morta
e o resto estoura.

Na cara a boca
os dentes, a barba:
não sobra rumor
não falta trovão

O silêncio lá fora
não reduz à sombra
não traduz a fome
mas remonta o palco

Chama de volta e corre

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A Funda

Se não tivesse nascido
a terra seria um plano
divino em nevoeiro
perdida em devaneio

estirado ao campo
desacelera o tempo
atira ao vento frio
o fio de meada solta.

Atravessa as searas
mortas pelo fogo
avessas ao contato
vermelhas carmim

vem pra vida escura
serenata em via suja
dum bordel escuso
à praia pra afundar

nas ondas sumo
de fruto doce
azul belicoso
verde pastoso.

Pega a espada
velha, oxidada
e vai morrer
na guerra

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Aparte

Se poesia em forma
quando a pia entorna
toda lona a cobrir
o chão em lama,
a cama aceita a sina

Soa o sino 
em sono esperto, 
peito aberto
no deserto leito
ao feito estrito
da longa noite,
suspira em pira
a partida acima.
Expira a vida.

De toda cria mundana
espanta as pestanas
dos cílios torpes,
tão fartos de enxergar.

Das torres brancas,
o sol ameno
o pátio enxágüe 
de todo carma,
de toda onda.

Abraçar os cortes, velejar a morte
pensar na sorte e esperar o porte
a crescer em nada, subir a escada
rumo ao clarão dos santos.
Esquece escolha, esquina e tino,
fenece em nuvem e expia as curvas.

Das brigas polidas a pedra
ao aço esmaltado em tiras,
perfeitas ameias de pérola.
A espera em torno da causa
ondas de engodo sedoso.
Forja os trilhos em alumínio
segue rumo ao destino:

É findo.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Da Roda ao Frio

Me retiro da roda,
pra tapear os buracos.

Desfaço as juras,
já todas rompidas
abraço as ruas
uma última vez.

Sem choro
(é mentira)
o dia se esvai.
Por medo
(é verdade)
o salto não sai.

E se algum dia
alguém, qualquer,
achar essas linhas
me enforquem.

Acabaram-se os dias.