domingo, 12 de agosto de 2018

Dilui e Dissolve

Tem cura pra tudo.

Mesmo se é medo
se é culpa, desejo
vergonha, mágoa
que o valha

nem que seja a cura

levar pra mente,
concentrar, condensar
transformar em tristeza

e pôr pra fora em beleza.

Lavar a alma.

domingo, 29 de abril de 2018

Helvegen - Caminho para Morte (tradução livre)

Quem irá cantar e me lançar ao sono mortífero?
quando sigo a caminho da morte
e a estrada que trilho é fria, tão fria

busquei as canções e enviei as canções
quando do mais profundo Poço
recebi lágrimas amargas
pelo penhor do Pai-Morte

Eu sei, Odin, a quem entregou teu olho

Quem irá cantar e me lançar ao sono mortífero?
quando sigo a caminho da morte
e a estrada que trilho é fria, tão fria

seja cedo ou ao fim do dia
o corvo ainda sabe se caio

Uma vez que se depare
com os portões da morte
e precisa se libertar

ei de segui-Lo
pela Ponte Retumbante
com minha canção

Se livra das correntes que o prendem
e é libertado dos laços que o seguram

Gado morre, parentes morrem
você próprio morrerá
mas algo nunca morrerá
a justa fama que merece

Sei apenas de um que não morre:
julgamento sobre os que morrem.

canção e letra original por Wardruna

terça-feira, 20 de março de 2018

Receita de Fossa

3 cervejas
4 cigarros
1 par de versos
dois arrotos bem dados

sexta-feira, 16 de março de 2018

Encruzilhada

vai partir no silêncio
mas avisa que fico
sei ir embora, não tema

sou como diamante
não quebro fácil
de fogo, não queimo

Se o pilar não sustenta
eu aguento a pena

deixa um verso
que de resto
eu disperso

como poeira

segunda-feira, 12 de março de 2018

Gravidade

Um tranco nas tripas
e o nó desata o trilho
O peito destranca e abre
levanta o queixo e chora

Se o que atrai é a hora,
liga às três sem demora.
Me acorda, faz chover
e vai embora.

Procurei em cada esquina
Atraí em toda sina
e sem saber da linha fina
disse adeus

Do que fica, a estrada
um tanto torta,
um cado morta
e o resto estoura.

Na cara a boca
os dentes, a barba:
não sobra rumor
não falta trovão

O silêncio lá fora
não reduz à sombra
não traduz a fome
mas remonta o palco

Chama de volta e corre

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A Funda

Se não tivesse nascido
a terra seria um plano
divino em nevoeiro
perdida em devaneio

estirado ao campo
desacelera o tempo
atira ao vento frio
o fio de meada solta.

Atravessa as searas
mortas pelo fogo
avessas ao contato
vermelhas carmim

vem pra vida escura
serenata em via suja
dum bordel escuso
à praia pra afundar

nas ondas sumo
de fruto doce
azul belicoso
verde pastoso.

Pega a espada
velha, oxidada
e vai morrer
na guerra

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Aparte

Se poesia em forma
quando a pia entorna
toda lona a cobrir
o chão em lama,
a cama aceita a sina

Soa o sino 
em sono esperto, 
peito aberto
no deserto leito
ao feito estrito
da longa noite,
suspira em pira
a partida acima.
Expira a vida.

De toda cria mundana
espanta as pestanas
dos cílios torpes,
tão fartos de enxergar.

Das torres brancas,
o sol ameno
o pátio enxágüe 
de todo carma,
de toda onda.

Abraçar os cortes, velejar a morte
pensar na sorte e esperar o porte
a crescer em nada, subir a escada
rumo ao clarão dos santos.
Esquece escolha, esquina e tino,
fenece em nuvem e expia as curvas.

Das brigas polidas a pedra
ao aço esmaltado em tiras,
perfeitas ameias de pérola.
A espera em torno da causa
ondas de engodo sedoso.
Forja os trilhos em alumínio
segue rumo ao destino:

É findo.