quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Aparte

Se poesia em forma
quando a pia entorna
toda lona a cobrir
o chão em lama,
a cama aceita a sina

Soa o sino 
em sono esperto, 
peito aberto
no deserto leito
ao feito estrito
da longa noite,
suspira em pira
a partida acima.
Expira a vida.

De toda cria mundana
espanta as pestanas
dos cílios mortos,
tão fartos de enxergar.

Das torres brancas,
o sol ameno
o pátio enxágüe 
de todo carma,
de toda onda.

Abraçar os cortes, velejar a morte
pensar na sorte e esperar o porte
a crescer em nada, subir a escada
rumo ao clarão dos santos.
Esquece escolha, esquina e tino,
fenece em nuvem e expia as curvas.

Das brigas polidas a pedra
ao aço esmaltado em tiras,
perfeitas ameias de pérola.
A espera em torno da causa
ondas de engodo sedoso.
Forja os trilhos em alumínio
segue rumo ao destino:

É findo.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Da Roda ao Frio

Me retiro da roda,
pra tapear os buracos.

Desfaço as juras,
já todas rompidas
abraço as ruas
uma última vez.

Sem choro
(é mentira)
o dia se esvai.
Por medo
(é verdade)
o salto não vai.

E se algum dia
alguém, qualquer,
achar essas linhas
me enforquem.

Acabaram-se os dias.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Saudade

Depois que a noite esqueceu meu nome vaguei pela alvorada tingida de saudade. Às costas, um choro cortante a rasgar do sol fraco. Daquelas ameias às moscas, cercado pela poeira cada vez mais grossa, a memória da voz rouca a roçar a periferia da cidade de onde nunca saí. Não foram os anos, mas os desmandos de um coração sofrido quem deram adeus a ela.

E nunca mais evoquei a tal lembrança.